Obras autorais

Exemplos do meu trabalho

Estes textos nasceram da minha própria voz. Servem apenas para que conheça o estilo do atelier — cada encomenda é escrita de raiz, a partir da sua história.

Poesia

Tempo

O tempo é um remédio estranho Ele cura, mas não sem dor Um veneno amargo, que mata sem pudor Só cura se permitido Ou envenena sem vacilo Ah o tempo Ele sem querer te machuca Por querer te cura Eu sinto tanto medo do tempo Porque ele é um mistério Ontem, hoje ou amanhã Isso é muito sério O tempo me lembra o quanto já vivi Mas não me diz o quanto ainda vou viver O tempo me deixa louca sem saber Eu só queria entender O que fazer Pra não errar Não me atropelar Me sinto esmagada Sufocada Tempo, tempo... Isso não tem graça Vou viver intensamente Ou pensar no de repente? Vou ser o mesmo eu todo dia? Ou ser sempre uma nova fantasia? Tempo me ajuda a curar? O passado largar E apenas o futuro esperar Viver do presente Sem mágoas em mente Dessa forma eu digo Tempo seja meu amigo

Poesia

Flor da Praia

Sou singular Pois essa flor Tem cheiro de mar Raízes na areia Regada com água salgada Flor que se esconde do frio Aparece com calor Pode procurar A flor está bem perto do mar A praia é sua casa O vento sua companhia De onde ela vem, dá pra apreciar a maresia Se não está perto da flor Basta lembrar do mar Porque disso ela é feita Singela, mas não perfeita

Música

E Se

Verso 1: E se, agora... Todo momento esbarramos no "e se", Mas e se a gente tentasse? E se o tempo parasse? E se ainda desse pra voltar? Pré-Refrão: E se deixo pra depois, Mas depois eu vejo, Depois eu enfrento, Depois vem o arrependimento. Refrão: O agora constrói, Memórias, histórias, Vitórias e derrotas, Arrependimentos, revoltas. Segunda voz: (E se... e se...) E se... e se eu... (E se... e se...) Deixar pra depois? (Depois!) Verso 2: É uma dança solitária, Mas não danço sozinha, Cada passo é um tropeço, Cada escolha, uma linha E se eu errar? E se eu não aguentar? Ponte: O tempo não para, só segue, E o medo caminha ao lado, Em cada curva, uma incerteza, Será que a felicidade é um fardo? Refrão Final: O agora constrói, Memórias, histórias, Vitórias e derrotas, Arrependimentos, revoltas. (E se... e se...) Deixar pra depois? (Não deixa não!)

Música

Eva

[Verso 1] Ver você e não tocar É chegar no céu sem voar Te olhar e me perder Querer tanto e não poder O paraíso tá no teu olhar Mas eu aqui, sem me entregar Condenada a só sentir Esse amor sem existir [Pré-Refrão] Meu castigo, te ter tão perto Tão longe, tudo incerto Minha sentença, meu coração Vive preso na ilusão [Refrão] Eterna culpa, não posso ser sua Meu martírio, viver nessa rua Tantas tentações, tantos sentimentos A serpente é o meu pensamento (Ceder, viver ou sofrer?) Tantas árvores, por que essa tem que ser? [Verso 2] Não escolhi te amar assim Tão perto e tão longe de mim Sou Eva, presa nesse jogo A fruta queima, mas eu não toco O desejo sempre me puxa Te amar é guerra, dor que custa Entre o querer e o perder Fico presa, sem saber [Ponte] Eu te vejo, mas não te sinto Eu te quero, mas me limito Eu te amo, mas não te toco Esse é meu fardo, esse é meu sufoco

Crónica/ Texto de homenagem

O Mar e o Impulso

Às vezes sinto que a carga de tarefas é maior do que a minha capacidade. Não entendo como chego a situações onde não posso mais suportar e, pior, onde não consigo voltar atrás. É uma completa bagunça e dá vontade de desistir... Mas não consigo, porque no fundo penso: vai melhorar. Pego num novo impulso e tento novamente, como quem corre atrás do vento na esperança de o alcançar. Ouvir o mar e olhar para o céu traz-me uma paz inexplicável. Mas, no fundo, é o próprio mar que me convida à entrega: "Mar, me carrega e não me deixa mais voltar a esse mundo... que suas ondas me acalmem, me deixem fazê-la de cama e dormir eternamente no berço da maré." É o pensamento que flerta com o fim, mas a vida que insiste em ficar.

Crónica/ Texto de homenagem

A Batalha Diária

Para muitos, sair da cama e enfrentar o dia é apenas o cotidiano. Para mim, é uma batalha diária. A aflição bate no peito quando o despertador toca, lembrando-me de que é hora de encarar o mundo. Como um guerreiro a enfrentar o leão, saio, muitas vezes sentindo-me fraca, mas insistindo. Digo a mim mesma: "Calma, ainda há esperança. Batalhaste e estás viva, a tua vitória é maior do que consegues mensurar." A minha luta pode parecer banal para quem vê de fora, mas é o fardo que consigo carregar. Se o esforço vence o talento, diariamente vou superar-me.

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